UM CONTRATEMPO (Contratiempo, 2017) | Crítica

Recentemente a NETFLIX tem se envolvido em polêmicas por adquirir direitos de distribuição de filmes independentes de sucesso em Festivais, gerando até  descontentamento de algumas pessoas que acusam a empresa de “enterrar esses filmes”. Há inclusive um podcast do pessoal do CINEM(AÇÃO) que debate o assunto com muita propriedade. Segue o link.

Dentro dessa categoria de filmes encontra-se alguns bons filmes com LITTLE SISTER, WIN IT ALL, SHIMMER LAKE, I DON’T FELL AT HOME IN THIS WORLD ANYMORE dentre outros. Mas desses filmes o que mais gostei foi o mais recente disponibilizado: UM CONTRATEMPO. No filme acompanhamos Adrián Doria (Mario Casas) um jovem e bem sucedido empresário que  contrata uma famosa advogada para inocenta-lo da acusação de ter assassinado sua amante, mas para que essa defesa seja eficaz a verdade precisa ser contada para então ela ser manipulada afim de inocentar o acusado.

O filme todo se estrutura nos flashbacks contado por Doria e questionado pela advogada  Virginia Goodman (Ana Wagener) que busca saber exatamente o que aconteceu naquela cena do crime. Tanto Doria quanto Virginia precisam confiar um no outro, e conforme a história avança, mais as mentiras vão se desdobrando e o roteiro que outrora parecia simples começa a ganhar complexidade.

Cada detalhe em tela é uma revelação em potencial, o que deixa o público angustiado em saber se aquilo que está sendo mostrado é uma pista ou não. UM CONTRATEMPO é um daqueles filmes de investigação que convida o espectador a participar da investigação e conjecturar o que realmente acontecera naquela noite. É um estilo fílmico que exige atenção aos diálogos e também à mis-en-scene que revelam informações valiosas no decorrer da história.

Detalhes na direção de arte revelam muito sobre nosso protagonista. O público precisa ficar atento.

Por estamos falando de um filme focado em flashbacks que vão se alternando conforme a “verdade” vai  sendo montada,  ficamos durante todo o filme sem saber exatamente o que acontecera, pois a verdade existente e a verdade contada se misturam a todo momento. E a cada alteração dessa realidade, novos elementos começam a surgir e nossas conjecturas começam a cair por terra.

O diretor e também roteirista do filme, Oriol Paulo usa-se de uma cinematografia escurecida e com cores frias para criar uma tensão no ar, assim como um figurino soturno que auxilia no clima tenso que o filme propõe. Mas novamente, quando falamos de histórias contadas e que não necessariamente são histórias verdadeiras, a cada alteração do que nos é apresentado, as atuação precisam acompanhar essa nova história, e tanto Mario Casas  (Doria) quanto Bárbara Lennie (sua amante) conseguem com extrema competência alterar sua interpretação em favor da história.

UM CONTRATEMPO é um filme difícil de falar pois qualquer informação dita de forma errada por estragar a experiência de quem o vai assistir. Um filme mistério por essência, que exige atenção e concentração do espectador para que ele não se perca no emaranhado de versões numa maneira bem criativa de simular um efeito Rashomon.

FICHA TÉCNICA

Direção: Oriol Paulo
Roteiro: Oriol Paulo
Fotografia: Xavi Giménez
Trilha Sonora: Fernando Velázquez
Ano: 2017
País: Espanha
Gênero: Mistério
Classificação: 12 anos
Duração: 106 min. / cor
Título Original: Contratiempo

Elenco: José Coronado, Ana Wagener, Bárbara Lennie, Mario Casas

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