The Cloverfield Paradox critica

“The Cloverfield Paradox”: A Preguiçosa Conveniência de Roteiro

Paradoxo

cs/
substantivo masculino
  1. pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria.
  2. aparente falta de nexo ou de lógica; contradição.
    “pregar o amor e espancar os filhos é um paradoxo”
  3. lóg raciocínio aparentemente bem fundamentado e coerente, embora esconda contradições decorrentes de uma análise insatisfatória de sua estrutura interna.

O mundo estava tranquilo, assistindo ao Super Bowl LII, esperando por um possível trailer de um novo filme da franquia Cloverfield, quando somos pegos de surpresa com o anúncio de que o aguardo The Cloverfield Paradox seria disponibilizado na Netflix assim que o evento acabasse, ou seja, dia 05/02/2018. “Uau, quero assistir o quanto antes esse filme, afinal, os dois filmes anteriores são muito bons, logo esse também deve ser”, pensei… penso… e penso.

Um grupo de cientistas do mundo todo estão no espaço para desenvolver uma tecnologia que resolva o problema da falta de energia que assola o planeta Terra. Mas, como é de se imaginar, o experimento não funciona muito bem, gerando distorções entre realidade alternativas. É pouco provável que você esteja lendo esse texto sem ter conhecimento algum do que se trata a franquia Cloverfield, mas de toda maneira, refere-se a uma antologia de filmes que nasceu em 2008 com o filme de monstros filmado em found footage, Cloverfield – Monstro. Com o sucesso do filme, o segundo, Rua Cloverfield, 10, veio 8 anos depois repetindo o sucesso com um filme muito mais tenso e lutuoso. E agora, apenas 2 anos depois, o terceiro filme chega explorando uma ficção científica espacial com todos os elementos intrínsecos ao gênero, inclusive os famigerados clichês e suas convenções.

O filme começa muito bem criando suspense, com pouca explicação e fazendo com o que espectador junte as peças para formar um quadro do que está acontece. Isso mantém o público interessado na história, prestando o máximo de atenção a cada detalhe da trama. O elenco heterogêneo é um ponto a ser destacado, apesar de sempre me incomodar escalar um ator americano para interpretar um brasileiro. E para piorar o personagem se chama Monk. Quem no Brasil se chama Monk? Outro acerto do filme está no design de produção muito bem pensado para criar elementos interessantes como por exemplo, os recorrentes círculos presentes na estação espacial, assim como em diversos objetos, criando uma consonância visual com o paradoxo que “circula sem achar uma solução válida”. Conforme os acontecimentos vão surgindo, os eventos circulares, os problemas e os desastres vão se repetindo. Entretanto, a partir do ponto de virada do roteiro, por volta do minuto ’40, tudo passa a ser apressado com soluções fáceis e inverossímeis.

Toda tensão que a filme criara até então começa a se esvair nas conveniências do roteiro que propõem situações sem qualquer contextualização. Eventos começam a surgir sob a preguiçosa justificativa de “as realidades estão se cruzando”, e coincidentemente, estes eventos ocorrem em momentos perfeitamente oportunos para movimentar a trama.  Até os personagens que de início pareciam interessantes passam a agir de forma estupida em favor do fraco roteiro. Piadas soltas, dramas vazios, arcos incompletos, resoluções tolas. O interessante círculo de eventos catastróficos do início do filme se torna um ciclo de escolhas desorganizadas e clichês desinspirados.  E para que o público possa manter o interesse na história, o roteiro usa aquilo que todo roteirista preguiçoso gosta de fazer para não perder sua audiência: começa a matar personagens para que haja o suspense “de quem e como será a próxima morte”.

The Cloverfield Paradox acaba com a impressão de que foi feito às pressas, sem qualquer planejamento, tendo como um possível trunfo o efeito surpresa. O filme tem um começo promissor mas se perde nas suas conveniências oriundas de um lânguido roteiro. Um desperdício de história que não faz jus ao universo antológico que vinha se criando. No final, The Cloverfield Paradox não passa de um malfadado episódio de Black Mirror que com certeza seria descartado da série.



Apaixonado por música tanto quanto por cinema, comecei a minha cinefilia com minha mãe indo ao cinema para ver os filmes dos Trapalhões e do Jean-Claude Van Damme. A paixão veio forte quando assisti a Jurassic Park, com toda aquela esplendor visual mesclado com a trilha de Johh Williams. Hoje com a ajuda do Spotify detenho uma playlist com todas as trilhas sonoras que me marcaram e me fazem amar o cinema cada dia mais. Minha trilha preferida? Do filme Uma Lição de Amor de 2011.


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