Em Defesa de Stranger Things 2 | Netflix

Em 2015, Stranger Things estreou e se tornou um sucesso imediato. Entrou para o mundo pop de forma incrível. Os anos 80 entrou na moda novamente, e Stranger Things se tornou uma referência pop. Na verdade alguns desinformados acharam que Stranger Things inventou “as aventuras adolescentes” (It que o diga). Mas para esses eu apenas digo que Conta Comigo e Os Gonnies mandam lembranças. Mas voltando à Stranger Things; depois do sucesso da primeira temporada, todo mundo estava com uma expectativa enorme para a segunda temporada. Em outubro de 2017, estreia a nova temporada dividindo opiniões. Uns amaram outros odiaram. Na verdade os que odiaram, ficaram com tanto ódio que é assustador. Mas o que aconteceu?

Aconteceu com Stranger Things o mesmo que com Star Wars. E eu explico o porquê. Quando saiu O Despertar da Força, muita gente reclamou que ele era igual à Uma Nova Esperança, que foi uma cópia descarada, isso porque não entendem que Star Wars tem uma estrutura que se repete, mas isso é assunto para outro texto. Então saiu Os Últimos Jedi e muita gente reclamou que era muito diferente, mas a estrutura ainda está lá. Ou seja, foi igual: reclamaram. Foi diferente: reclamaram. E onde Stranger Things entra nesta história? Houve reclamações de que Stranger Things foi muito diferente da primeira temporada. Mas e se fosse a mesma coisa da primeira? Reclamariam: “Ah é a mesma coisa da primeira temporada!” Ou seja, não tem como agradar a “gregos e troianos”. Mas será que a segunda temporada de Stranger Things, intitulada Stranger Things 2 é tão ruim assim? Vejamos.

A primeira crítica que muitos fizeram é a respeito do desaparecimento da Eleven na temporada. Um monte de fãs reclamou que a Eleven sumiu, que ela era a principal e tal. Mas pare e pense? A série gira em torno de quem? Da Eleven? Errado, ela gira em torno de Will. Pare e pense: “A primeira temporada, ela começa como?”. Com o desaparecimento do Will. Tudo gira em torno de encontrar Will, em saber onde ele está, e como salvá-lo. Nada mais justo do que desenvolver seu personagem. E que desenvolvimento! Will se tornou uma das melhores coisas da série. A atuação de Noah Schnapp é simplesmente incrível. Ele demonstra medo, revolta e confusão apenas com os olhos. A cena do “exorcismo” dele é sem dúvida um show de interpretação. O personagem teve um crescimento impressionante e é com certeza um dos maiores acertos da temporada.

Mas aí você me pergunta: “E a Eleven?” Sim, a Eleven é uma personagem importantíssima na trama. E realmente é uma personagem espetacular. Mas a série não gira em torno dela, mas sim (ambas a temporadas) gira em torno de Will, e nos acontecimentos na pequena cidade de Hawkins. “E quanto a temporada? O que dizer dela?”. Sim a personagem ficou um pouco sumida, mas todas as vezes que apareceu ela foi importante, teve até um episódio só pra ela. Essa temporada optou por mostrar o desenvolvimento da personagem em suas relações familiares. E foi algo bem acertado. Afinal todo mundo tem uma família, mas quem é Eleven? De onde ela veio? Esse desenvolvimento se fazia necessário, e a tornou uma personagem mais interessante. Porque ela tem um passado, ela tem uma origem, ela é um ser humano, e não apenas uma criança superdotada. Uma hora ou outra isso seria abordado na série, a escolha de ser agora foi acertada, afinal melhor mostrar quem ela é agora do que quando tiverem mais coisas para serem abordadas.

E falando em Eleven, o que dizer do mal falado episódio 7? Este episódio dividiu opiniões. Maior foi o número dos que odiaram do que os que amaram. O episódio 7 – “The Lost Sister” é o que chamamos de bottle episode, ou episódio engarrafado, que é um episódio em que parece que a trama principal não se desenvolve, trazendo um elenco não-regular e tendo baixo orçamento. Mas será que o episódio realmente é desnecessário? Confesso que sou um dos que criticou esse episódio, mas hoje ao pensar na série como um todo, esse episódio é essencial. “Mas por quê?” Você pergunta. E eu te respondo. Neste episódio é que vemos o desenvolvimento de Eleven. É aqui que ela testa seus poderes, que ela percebe do que é capaz. É a partir daqui que Eleven não se sente mais uma estranha sozinha no mundo. Sem esse episódio nada disso seria possível, e a trajetória de Eleven seria falha e sem sentido. Além disso, é graças a esse episódio que Eleven consegue cumprir com sua missão no último episódio. Adicionalmente, este episódio abre inúmeras possibilidades para a continuidade da série. A partir desse episódio podemos ter spin offs abordando Eight e sua trupe. Ou melhor ainda, cria-se assim uma possibilidade de ampliar o universo de Stranger Things, porque se existem Eleven e Eight, também podemos ter Ten, Nine, Seven, Six e assim por diante. O que aconteceu com eles? E se eles se juntassem? O que poderia acontecer? Esse episódio abriu inúmeras possibilidades. Seria então esse episódio tão descartável assim? Acho que não.

Vamos a outro ponto. Houve reclamações de que não temos mais tanto daquelas aventuras adolescentes. Mas será mesmo? Sim, nesse ponto estão certo. Essa dinâmica de grupo diminuiu, mas ainda está lá. Na verdade ela mudou. Afinal são adolescentes, e adolescentes crescem e mudam. Seus interesses mudam e ao crescer eles se afastam. Ou vai dizer que os amigos que você tinha quando era adolescente continuam com você do mesmo jeito? Mas ainda temos essa dinâmica. A cena do trilho do trem, ao melhor estilo Conta Comigo, é uma prova disso. Mas como disse os interesses mudam. A chegada de Max muda completamente essa dinâmica. Eles são garotos, adolescentes, eles estão começando a descobrir as garotas. E essa jornada é uma das melhores coisas: a jornada da descoberta de novos sentimentos. Afinal eles são adolescentes, estão crescendo. Ainda falando nessa dinâmica, houve uma rachadura no grupo. E isso é a coisa mais natural que existe. Afinal você sempre teve a mesma relação com todos os seus amigos da adolescência? Não. Com certeza você sempre foi mais amigo de um do que de outro. Os interesses conforme foram crescendo, mudaram e vocês continuaram amigos, mas se afastaram. Isso é a coisa mais natural do mundo. E a série mostra isso com uma naturalidade que é até bonita de ver.

“Mas e o Mike? Ele virou um bebê chorão!” Convenhamos que o Mike é um chato desde a primeira temporada. Ele continuou sendo a mesma pessoa. Não mudou nada. Já Dustin, que foi e é um dos mais amados, cresceu bastante na série. E isso me agrada, afinal ele é um dos melhores da série. O arco de Lucas também é ótimo. A descoberta dos sentimentos dele é natural e bonito. Na verdade, todo o elenco infantil é um espetáculo à parte na série. E falando em elenco, o que foi a participação do Sean Astin nessa temporada? Ele fez um personagem carismático e cheio de nuances e camadas. Um personagem bem diferente do que vemos em Os Gonnies. Até Dacre Montgomery se mostrou um bom personagem. Por mais que seu personagem pareça ser apenas o bad boy da vez, seu personagem tem um grande potencial a ser explorado nas próximas temporadas. A cena do vestiário em que ele enfrenta o Steve dá a entender isso.

Mas não tem como negar que a série tem suas falhas. A maior delas é o romance Jhonatan e Nancy. Esse romance não se desenvolve e ainda soa forçado. A cena deles na casa de Murray é com certeza uma das piores da temporada de tão desnecessária. Era para ser engraçada, mas é um momento de total vergonha alheia. Totalmente diferente do romance Joyce e Bob. Esse é o casal mais “fofo” da série. Mas mesmo assim, Joyce ficou abaixo do esperado. Com exceção da cena na escola e da invasão/fuga do prédio do Laboratório Hawkins, a personagem é a mesma coisa da primeira temporada. Winona Ryder se esforça, mas a personagem não engrena. Além dela, outro que não vai é Murray. O personagem não diz a que veio e é totalmente desnecessário. E falando em coisas desnecessárias, todo o arco da Barb se mostra desnecessário. Não por não ser interessante, mas porque é totalmente desperdiçado. Falam dela no primeiro episódio, falam como se fosse ter destaque, mas só voltam nela no último episódio. Todo potencial do impacto do sumiço dela se perde. E falando em desperdícios, perderam uma chance brilhante de abordar o bullying sofrido por Will.

Ou seja, embora tenha cometido erros, Stranger Things 2 é sim uma temporada que manteve o nível da primeira. Aprofundou nos dramas da adolescência, no crescimento, nas jornadas da vida. Não tem como ser igual a primeira temporada, afinal adolescentes mudam a todo instante e o que pensam hoje amanhã não pensam mais. Mudanças! Isso acontece e temos de nos adaptar a ela. Stranger Things cresceu junto com seus personagens, seus atores. E vai crescer mais. Então é bom nos acostumarmos com essa ideia. Afinal assim como nós crescemos e mudamos, nossos personagens favoritos também crescem e amadurecem.

E lembre-se: não somos donos dos personagens, das histórias, da série, do filme, da franquia. Somos fãs! E como fãs temos que nos adaptar. A mudança está aí! Então vamos nos adaptar e aproveitar o que esses filmes e essas séries têm a nos oferecer: Diversão!



"Cinema não é para entreter, é para fazer sonha" - Win Wenders


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