2017 – O Ano das Mulheres no Cinema!

Chegamos ao fim de 2017, um ano cheio de polêmicas, decepções e surpresas, principalmente para as mulheres no cinema. Tivemos o estopim do caso Harvey Weinstein que foi acusado por diversas mulheres de abuso. Esse fato levou à uma série de outras denúncias, dentre elas, de abuso por parte de atores e produtores como Kevin Spacey e Brad Ratner. Esse fato foi tão marcante que gerou o movimento #metoo onde mulheres do mundo todos passaram a denunciar assediadores e abusador, resultando na emblemática capa da revista Time que nomeou essas pessoas que quebram o silêncio (Silence Breakers) como a personalidade do ano. Apesar de ser uma notícia terrível vermos famosos e poderosos de Hollywood abusando e assediando, esse movimento trouxe um caminho sem volta, onde os ídolos passam a ser questionados e destruídos, não mais sendo acobertados, nem pelos fãs (vide Jonnhy Depp) nem pela indústria (vide Netflix). Ainda há muito o que ser feito? Sim. Mas um passo enorme foi dado, e não devemos nos calar diante desses casos.

Mas 2017 também reservou uma grande qualidade de bons filmes dirigidos por mulheres, o que esperamos servir de impulsionamento para que em 2018 tenhamos ainda mais filmes de diretoras no mundo todo. Vamos neste artigo destacar alguns ótimos filmes que se destacaram no mundo todo e dar algumas dicas de como conhecer esses e outros filmes dirigidos por mulheres,  a começar pelo cinema nacional.

Eliane Caffé, uma diretora ainda pouco conhecida do público casual lança seu novo trabalho “Era o Hotel Cambridge” escolhido pelo público como o Melhor Filme Nacional da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo tendo sido efusivamente aplaudido de pé em sua primeira sessão. Tecnicamente impecável, o filme nos brinda com um trabalho de produção incrível e com personagens capazes de nos fazer rir e chorar, e ao passo que eles abrem seus corações nos contando seus problemas, seus sonhos e suas angústias, nos sentimos afeiçoados por sua luta. Sem dúvida um fiel documento do nosso país!

Tivemos também o excelente “Como Nossos Pais” de Laís Bodansky. O filme é um retrato da mulher moderna que precisa ser uma super-heroína para lidar com a pressão de uma sociedade ainda em processo evolutivo de um machismo estrutural para um movimento de empoderamento feminino. O filme recebeu 6 prêmios no Festival de Gramado, dentre eles melhor filme, direção, ator e atriz, além de atriz coadjuvante.

Lúcia Murat também teve momentos de glória em 2017 com seu novo longa “Praça Paris”. O filme é tecnicamente o melhor trabalho da diretora e consegue abordar o racismo estrutural do qual vivemos, que dificulta que um “pobre favelado” consiga se livrar do ciclo de violência no qual é inserido desde o nascimento, tendo de trabalhar duas vezes mais que privilegiados para tentarem oportunidades iguais. Além da Lúcia, sua filha Júlia Murat também lançou seu novo trabalho, “Pendular”, um filme artístico que fala sobre relacionamentos. O filme foi recebido com elogios no Festival de Brasília e estreou semanas depois com boa recepção do público. Recomendo ouvirem o podcast eu e o pessoal do Plano-Sequência gravamos sobre as diretoras e suas obras.

Agora vamos falar de cinema internacional onde mulheres como Patty Jeakins, Katryn Bigelow, Sofia Coppola dentre outras brilharam atrás das câmeras. Patty Jeakins simplesmente foi a primeira mulher a dirigir um filmes com bilheteria acima de US$ 650 milhões. “Mulher Maravilha” foi um sucesso de público e de crítica se tornando um marco para o cinema dirigido por mulheres, em especial quando pensamos em filmes de super-heróis.

Outra diretora que brilhou foi Sofia Coppola com o filme “O Estranho que nós Amamos” tido por muitos uns dos melhores filmes do ano. Não que a diretora já não tivesse seu brilho, mas ela vinha de alguns filmes com fraca recepção de público e crítica, mas retorna aos bons filmes com esse remake do clássico de 1971. O filme é um thriller psicológico que transforma a tensão sexual em filme terror angustiante. Depois de Sofia Coppola, outra diretora que arrebentou em 2017 foi Julia Ducournau com seu polêmico “Raw”, exibido em 2016 no Festival Toronto onde causou mal estar em muitos na plateia por explorar o canibalismo de forma visceral. Mas não pense que o filme é apenas um gore para chocar. O filme trabalho perfeitamente a ambientação necessária para causar uma angústia no espectadores antes e depois de cenas mais fortes. Caso se interesse, o filme está disponível na Netflix. Vale muito a pena!

Para fecharmos, tivemos como destaque a diretora húngara Ildikó Enyedi com seu novo filme “De Corpo e Alma” que deve representar a Hungria no Oscar 2018. O filme é um sensível retrato de um improvável romance entre uma jovem que sofre com a Síndrome de Asperger e um homem mais velho com deficiência no braço. “De Corpo e Alma” preza pela contemplação e pela ambientação, com diversas cenas de interlúdio que inicialmente podem confundir e até chocar o espectador, mas quem se atentar aos detalhes perceberá a genialidade dessas composições.

Antes de concluir gostaria de sugerir três canais onde você poderá encontrar excelentes filmes dirigidos por mulheres. O primeiro é o Podcast Feito por Elas que se dedica a falar única e exclusivamente de diretoras. Outra maneira de se encontrar filmes de diretoras é nessa playlist do Lettexboxd:  https://letterboxd.com/michaelhaneke/list/films-directed-by-women/by/release/ onde encontra-se mais de 3 mil filmes com mulheres na direção. Você poderá ordenar por rating ou por data de lançamento. E concluindo, há um projeto chamado “52 Films By Women” que propõem assistir a pelo menos 1 filme por semana dirigido por mulheres. Vale a pena conferir.

Esperamos que em 2018 possamos ver mais bons filmes dirigidos por mulheres! Forte abraço.

 

About Fernando Machado

Apaixonado por música tanto quanto por cinema, comecei a minha cinefilia com minha mãe indo ao cinema para ver os filmes dos Trapalhões e do Jean-Claude Van Damme. A paixão veio forte quando assisti a Jurassic Park, com toda aquela esplendor visual mesclado com a trilha de Johh Williams. Hoje com a ajuda do Spotify detenho uma playlist com todas as trilhas sonoras que me marcaram e me fazem amar o cinema cada dia mais. Minha trilha preferida? Do filme Uma Lição de Amor de 2011.

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